Lunáticos e Três Irmãs da Coleção Bursztyn/Âmbar por A Seita - Publicações Preview


A riqueza da banda desenhada reside na sua capacidade de cruzar fronteiras e apresentar-nos mundos tão distintos quanto o espaço sideral e a complexidade do quotidiano familiar. Com o lançamento da Coleção Bursztyn/Âmbar, numa louvável parceria cultural com a editora polaca Timof Comics, a editora A Seita abriu uma porta excecional para o panorama da BD polaca contemporânea. Duas das obras que melhor personificam a amplitude desta coleção são, sem dúvida, "Três Irmãs" e "Lunáticos", dois caminhos narrativos opostos, mas igualmente arrebatadores.


Para inaugurar a coleção, fomos confrontados com o realismo visceral de "Três Irmãs", da autoria de Anna Poszepczyńska. Afastando-se de qualquer sentimentalismo barato ou julgamentos fáceis, a novela gráfica mergulha-nos na rotina asfixiante e terna de Olza e Lena, que dividem as suas vidas entre o trabalho e os cuidados ininterruptos à irmã mais nova, Dominika, gravemente doente.


Quando surge a hipótese de transferir a jovem para um centro de reabilitação, o delicado equilíbrio emocional da casa estilhaça-se. É um livro de silêncios pesados e de uma honestidade desarmante sobre o peso do amor e da responsabilidade familiar.


Num registo completamente diferente, "Lunáticos", com arte de Adam Fyda e argumento de Marek Ospalski, eleva a nossa imaginação até ao infinito. Esta impressionante novela gráfica adapta o clássico da ficção científica No Orbe de Prata, escrito por Jerzy Żuławski no início do século XX.


A premissa faz-nos recuar até 1913, quando uma pioneira expedição de cinco astronautas parte em direção ao lado oculto da Lua à procura de atmosfera e vida, perdendo irremediavelmente o contacto com a Terra. Graficamente arrebatadora, a obra transforma-se numa epopeia filosófica e visual sobre a solidão, a esperança e a sobrevivência humana num ambiente hostil.


Se por um lado "Três Irmãs" nos prende à terra pela densidade dos afetos, "Lunáticos" projeta-nos no cosmos para questionar a nossa própria herança existencial.


O grande mérito de A Seita com esta coleção não é apenas diversificar as prateleiras nacionais, mas sim provar que, seja no interior de uma pequena casa na Polónia ou no vácuo poeirento da Lua, a grande banda desenhada é sempre sobre o que nos torna profundamente humanos.

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