"Um livro para todos os dias" foi o primeiro livro que o Planeta Tangerina publicou oficialmente. Um livro com ISBN, código de barras e ficha técnica como deve ser. Na primeira edição, fizeram uma tiragem de 3000 exemplares, um número muito maior do que as tiragens regulares que costumam fazer hoje em dia.
Fizeram este livro sem pensar muito, sem grande planeamento. Só sabiam que queriam muito fazer livros, objetos que perdurassem mais do que alguns materiais que faziam na altura (e continuam a fazer). Os livros já tinham para eles algo de muito importante, quase sagrado, como se carregassem um tipo de responsabilidade que os fazia querer colocar neles todo o empenho do mundo — o oposto de algo volátil, que passa a correr.
Não sabiam como correria esse Um livro para todos os dias: não tinha uma história, as ilustrações não eram coloridas e não tinha os elementos mais comuns nos livros infantis. Talvez não fosse um livro para crianças. Seria? Será? Tem um adulto e uma criança na capa e talvez o livro seja para esse tipo de par.
Foram eles próprios que fizeram, porta a porta, a distribuição desses primeiros exemplares. Ficavam um bocadinho histéricos quando mostravam os livros aos donos das livrarias e papelarias e estes diziam que sim, que aceitavam ficar com alguns exemplares.
O livro esgotou uma e outra vez. A primeira edição tinha um formato bem mais pequenino, mas mais 8 páginas do que a edição atual. Foi o primeiro livro do qual venderam direitos, o primeiro que os fez assinar um contrato com outra editora (e fizeram logo uma enorme asneira nesse primeiro negócio!). Mas aprenderam.
O livro chega agora à 7.ª reimpressão e já passaram mais de 20 anos desde a primeira.
Continuam a existir Dias em que as coisas andam para trás e dias em que o mundo anda para a frente, Dias em que cruzam os braços. E dias em que arregaçam as mangas, Dias em que só pensam no futuro. E dias em que têm saudades de quase tudo.
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